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Setembro Amarelo: como ajudar alguém em risco de suicídio
Se você chegou até aqui porque alguém da sua casa disse que não quer mais viver, leia o quadro abaixo antes de qualquer outra coisa.
Se o risco é imediato: não deixe a pessoa sozinha. Ligue para o SAMU 192 ou leve-a a uma UPA, pronto-socorro ou serviço de urgência psiquiátrica. Se for seguro fazer isso, afaste medicamentos, armas e outros meios que possam ser usados para uma tentativa. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat no cvv.org.br. O CVV acolhe e escuta, mas não substitui o atendimento de emergência.
O restante deste texto é para quem está um passo antes ou um passo depois da emergência: antes, quando a família percebe mudanças e não sabe se está exagerando; depois, quando a crise aguda passou, mas ainda é preciso organizar o cuidado. A prevenção não termina quando a pessoa sai do pronto-socorro.
O que é o Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de conscientização e prevenção do suicídio. A mobilização nacional começou em 2015 e tem como marco o dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
A mensagem central vale o ano inteiro: falar sobre sofrimento psíquico com responsabilidade, escuta e informação pode aproximar a pessoa da ajuda de que ela precisa.
Pensamentos suicidas podem envolver ambivalência. Em muitos casos, a pessoa não deseja exatamente morrer; deseja interromper uma dor que naquele momento parece insuportável. Isso não diminui o risco. Ao contrário: mostra por que uma conversa direta, o apoio de alguém próximo e o acesso rápido a atendimento profissional podem mudar o rumo da crise.
Quais são os sinais de alerta
Nenhum sinal isolado confirma que alguém esteja em risco. O que pede atenção é a mudança de comportamento, sobretudo quando vários sinais aparecem juntos, se intensificam ou persistem.
No que a pessoa fala: dizer que é um peso para os outros, que nada vai melhorar, que gostaria de sumir, dormir e não acordar ou não estar mais aqui. Despedidas fora de contexto também merecem atenção, mesmo quando são feitas em tom leve.
No comportamento: isolamento crescente, abandono de atividades que antes davam prazer, doação de objetos importantes, resolução apressada de pendências ou busca por informações relacionadas à morte. O aumento do consumo de álcool ou do uso de medicamentos também é um sinal relevante.
No humor: desesperança, culpa intensa, ansiedade, agitação ou irritabilidade incomum. Uma calmaria repentina depois de um período de sofrimento intenso não deve ser interpretada automaticamente como melhora; ela precisa ser observada no conjunto do quadro.
No histórico e no contexto: tentativa anterior é um dos fatores de risco mais importantes. Perdas recentes, diagnóstico grave, término de relacionamento, demissão, violência, humilhação pública, isolamento social e uso de álcool ou outras drogas também podem aumentar a vulnerabilidade, especialmente quando se somam.
Por que a família demora a agir
Isso costuma acontecer por medo, dúvida ou falta de informação — não por falta de amor.
Um motivo frequente é o receio de "dar ideia". Esse é um mito. Perguntar com clareza se a pessoa pensa em morrer ou em se matar não provoca o pensamento suicida. A pergunta pode, na verdade, abrir espaço para que ela fale do que estava carregando sozinha.
Outro motivo é esperar o momento perfeito. Ele raramente chega. Muitas conversas importantes começam na cozinha, no carro ou durante uma tarefa comum.
Também pode haver uma reação defensiva. A pessoa em sofrimento recua quando é questionada, e a família recua junto por medo de piorar. Mesmo que ela negue ou encerre a conversa, mudanças importantes de comportamento continuam merecendo atenção e, quando necessário, avaliação profissional.
Como conversar
Escolha um lugar reservado e pergunte de forma direta, calma e sem julgamento: "Você tem pensado em morrer?" ou "Você pensou em se matar?". Se a resposta for positiva, pergunte se existe intenção de agir, um plano ou acesso a algum meio. Essas respostas ajudam a entender a urgência, mas a avaliação profissional continua sendo necessária.
Ouça mais do que fale. Frases como "você tem tantos motivos para estar bem" ou "pense nos seus filhos" podem aumentar a culpa e fazer a pessoa se fechar. É mais útil dizer: "Eu estou aqui", "quero entender o que está acontecendo" e "vamos procurar ajuda juntos".
Não prometa guardar segredo sobre um risco à vida. Combine um próximo passo concreto: ligar para um profissional ou serviço, marcar uma consulta e acompanhar a pessoa. Se houver intenção imediata, plano definido, acesso aos meios, intoxicação, agitação intensa ou uma tentativa em andamento, trate como emergência: não deixe a pessoa sozinha e acione o SAMU 192 ou um serviço de urgência.
O que precisa acontecer depois da alta
A alta do pronto-socorro significa que a equipe considerou possível continuar o cuidado fora daquele serviço naquele momento. Ela não significa que o problema foi resolvido nem que o risco desapareceu.
O período posterior a uma crise exige atenção. O ideal é sair do atendimento com orientações claras: onde será o seguimento, quando ocorrerá a próxima avaliação, quais sinais indicam piora, como agir diante de uma nova crise e quem pode ser acionado. Quando possível, a primeira consulta deve ficar agendada, com participação da família ou da rede de apoio autorizada pela pessoa.
Em casa, as medidas devem seguir o plano definido pela equipe assistencial. Isso pode incluir supervisão mais próxima, organização segura dos medicamentos e redução do acesso a outros meios de autoagressão. Mudanças de medicação, suspensão de remédios ou uso de sedativos não devem ser feitos por conta própria.
A continuidade pode envolver psiquiatria, psicoterapia, CAPS, Unidade Básica de Saúde e outros serviços da rede. Muitos casos podem ser tratados fora de uma clínica, desde que haja avaliação adequada, adesão e suporte suficiente. Quando o cuidado ambulatorial não oferece a segurança ou a intensidade necessárias, a equipe pode considerar modalidades mais estruturadas.
Quando a internação pode ser considerada
A internação é uma modalidade de cuidado indicada após avaliação individual. Ela não deve ser apresentada como punição, abandono ou solução automática. Em uma crise aguda, pode ser necessária internação hospitalar em serviço preparado para estabilização e proteção. Em outros momentos, depois de controlado o risco imediato, pode ser avaliado um programa terapêutico residencial ou eletivo.
Essa avaliação pode entrar na conversa quando há, por exemplo:
- sintomas graves e prejuízo importante de funcionamento;
- repetição de crises ou dificuldade de manter o tratamento ambulatorial;
- uso associado de álcool, sedativos ou outras drogas;
- pouca sustentação ou segurança no ambiente doméstico;
- necessidade de cuidado mais intensivo e multiprofissional.
A decisão não deve se apoiar apenas no cansaço da família. Ela precisa considerar o estado clínico, o nível de risco, a capacidade do serviço, as alternativas disponíveis e a modalidade de internação adequada ao caso.
Um limite precisa ficar claro: programa terapêutico eletivo não é serviço de emergência. Quem está em crise aguda, com risco imediato ou ideação suicida ativa, precisa de avaliação em urgência psiquiátrica, UPA, pronto-socorro ou pelo SAMU 192. Um programa eletivo só pode ser considerado depois da estabilização e de uma triagem que confirme sua adequação.
Quando o álcool e os medicamentos estão envolvidos
Álcool, sedativos e medicamentos para dormir podem aparecer como tentativa de aliviar ansiedade, insônia ou sofrimento. O problema é que essas substâncias podem reduzir a capacidade de julgamento, aumentar a impulsividade, interagir entre si e agravar o risco durante uma crise.
Por isso, é importante informar à equipe de saúde tudo o que a pessoa usa — inclusive medicamentos sem receita, doses extras e combinações com álcool. Quando sofrimento psíquico e uso de substâncias coexistem, ambos precisam fazer parte do mesmo plano de tratamento.
Se você tem dúvidas sobre o uso de álcool ou outras substâncias na sua família, a triagem baseada no instrumento ASSIST, da Organização Mundial da Saúde, pode ajudar a identificar a necessidade de avaliação profissional. Ela não fornece diagnóstico nem substitui consulta.
Como funciona o cuidado no Spa Recovery
Para pessoas clinicamente estabilizadas e consideradas aptas após triagem, o Spa Recovery oferece o Programa Recovery, em regime de internação voluntária. O programa inclui acompanhamento psiquiátrico semanal, atendimento psicológico individual duas vezes por semana, reuniões terapêuticas em grupo quatro vezes por semana, atividades de psicoeducação ao longo da rotina, atividade física supervisionada e enfermagem 24 horas, além de cobertura médica para emergências.
O tratamento é organizado em ciclos de 30 dias. A necessidade de continuidade é reavaliada clinicamente e conversada com a pessoa internada e sua família a cada ciclo. Os valores e a relação do que está ou não incluído estão disponíveis na página de investimento.
A internação no Spa Recovery é exclusivamente voluntária. O serviço não realiza internação involuntária nem compulsória. Ideação suicida ativa, agitação psicomotora e risco de agressão a outras pessoas são contraindicações formais para admissão no programa. Nessas situações, a orientação é procurar um serviço de urgência preparado para avaliação e estabilização.
Quando o caso não tem indicação para o programa, a equipe informa isso na triagem e orienta a busca pelo tipo de atendimento mais adequado.
Se for uma emergência
Este texto é informativo e não substitui avaliação clínica. Em caso de tentativa em andamento, risco imediato, plano definido, intoxicação ou ideação suicida ativa, não deixe a pessoa sozinha: ligue para o SAMU 192 ou procure uma UPA, pronto-socorro ou serviço de urgência psiquiátrica.
O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. O serviço de escuta não substitui o atendimento médico de emergência.
Perguntas frequentes
Perguntar sobre suicídio pode colocar a ideia na cabeça da pessoa?
Não. Perguntar de forma direta, calma e sem julgamento não induz o comportamento suicida. A pergunta pode abrir espaço para uma conversa honesta e ajudar a pessoa a aceitar apoio.
O que dizer quando alguém afirma que não aguenta mais?
Fique perto, escute e pergunte com clareza se ela tem pensado em morrer ou em se matar. Não discuta os motivos nem tente provar que a vida dela é boa. Diga que levará o sofrimento a sério e que vocês procurarão ajuda juntos. Se houver risco imediato, acione o SAMU 192 ou um serviço de urgência.
Qual é a diferença entre ligar para o CVV e para o SAMU?
O CVV, no 188, oferece escuta e apoio emocional gratuito e sigiloso. O SAMU, no 192, é um serviço de emergência médica. Quando há risco imediato à vida, tentativa em andamento, intoxicação ou necessidade de intervenção urgente, a prioridade é o 192 ou um serviço de urgência.
Meu familiar teve alta do pronto-socorro. E agora?
Confirme as orientações da alta, os medicamentos prescritos, o serviço responsável pelo seguimento e a data da próxima avaliação. Peça também instruções sobre sinais de piora e sobre o que fazer se a crise retornar. Em casa, siga o plano de segurança definido pela equipe, organize os medicamentos e não altere o tratamento por conta própria.
O Spa Recovery recebe alguém em crise?
Não. Ideação suicida ativa, agitação psicomotora e risco de agressão a outras pessoas são contraindicações formais para o programa. Esses casos precisam de avaliação em serviço de urgência. Depois da estabilização, a equipe pode analisar se o Programa Recovery é adequado.
É possível internar alguém contra a vontade?
O Spa Recovery não realiza internação involuntária nem compulsória. Essas modalidades existem na legislação brasileira, mas dependem de critérios e procedimentos próprios e devem ser conduzidas por serviços habilitados. Diante de risco imediato, procure a urgência ou ligue para o SAMU 192.
Beber ou tomar remédio para dormir aumenta o risco?
Pode aumentar. Álcool e sedativos podem reduzir o julgamento, elevar a impulsividade e causar interações perigosas. Nunca associe essas substâncias nem aumente doses sem orientação médica. Se houver ingestão excessiva ou combinação potencialmente perigosa, procure atendimento de emergência.
O próximo passo
Se você reconheceu alguém neste texto e não há risco imediato, ajude essa pessoa a chegar a uma avaliação profissional. A equipe do Spa Recovery pode ouvir o caso, explicar se o programa é compatível com a necessidade apresentada e, quando não for, orientar a busca pelo tipo de serviço adequado. O atendimento inicial é sigiloso.
Se o risco for imediato, não aguarde uma triagem eletiva: ligue para o SAMU 192 ou procure um serviço de urgência. Para apoio emocional, o CVV atende pelo 188, sem substituir a emergência.
Precisa de orientação agora?
A nossa equipe ouve o caso, indica o programa adequado e, quando o Spa Recovery não for o lugar certo, orienta o caminho. O atendimento é sigiloso e sem compromisso.
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